A realidade virtual ganhou espaço na programação da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Entre 11 e 19 de setembro de 2026, o evento apresentou a mostra “Realidade Virtual: Imersão em Persona”, com três experiências produzidas pelo projeto Visita 360, do Senado Federal. As obras abordam as trajetórias de Abdias Nascimento, Darcy Ribeiro e Eunice Michiles.
Intituladas “O Sonho de Abdias”, “Encontro com Darcy” e “Eunice – a primeira senadora”, as produções propõem uma forma diferente de acompanhar narrativas ligadas à memória política e social brasileira. Em vez de uma exibição limitada ao enquadramento de uma tela convencional, o público utiliza óculos especiais, fones de ouvido e poltronas giratórias para observar os ambientes em diferentes direções.
A participação do projeto no festival foi divulgada pelo Senado Federal em 20 de agosto de 2026. A iniciativa levou ao Distrito Federal uma combinação entre linguagem audiovisual imersiva e personagens associados a temas como igualdade racial, identidade, participação política e pioneirismo feminino.
Como funciona a experiência imersiva
Na realidade virtual, a posição do espectador passa a ter papel importante na forma de acompanhar uma obra. O usuário pode olhar ao redor e perceber o espaço narrativo em 360 graus, enquanto os equipamentos de áudio e a poltrona giratória complementam a sensação de presença. A proposta não é apenas assistir a um filme, mas ocupar um ponto de observação dentro da narrativa.
Segundo informações publicadas pelo Senado Notícias, o formato busca aproximar o público de figuras históricas por meio de uma linguagem audiovisual contemporânea. Essa aproximação ocorre sem abandonar o conteúdo biográfico e político das obras, mas modificando a relação entre espectador, espaço e personagem.
Esse tipo de exibição também amplia a discussão sobre o que pode ser entendido como experiência cinematográfica. A narrativa continua organizada por imagem, som e direção, mas o público deixa de observar apenas o recorte escolhido para a tela. A possibilidade de explorar o ambiente em várias direções cria novas exigências para a produção e para a recepção de filmes imersivos.
Memória brasileira apresentada por uma nova linguagem
As três obras selecionadas para a mostra têm como eixo personalidades com trajetórias relevantes na história brasileira. Abdias Nascimento é apresentado em uma narrativa relacionada à igualdade racial e à identidade. Darcy Ribeiro aparece em uma experiência dedicada à sua trajetória, enquanto Eunice Michiles é retratada a partir de seu pioneirismo como mulher na política institucional.
O recorte aproxima cinema, memória e educação, especialmente por transformar informações históricas em uma experiência sensorial. O espectador não recebe o conteúdo somente por meio de imagens planas ou depoimentos exibidos em uma tela. A ambientação imersiva pode contribuir para tornar a apresentação mais envolvente, embora não substitua outras formas de pesquisa, preservação e estudo sobre os personagens.
Ao levar esse formato a um festival dedicado ao cinema brasileiro, a programação também coloca a realidade virtual em contato com diferentes públicos e tradições de exibição. A presença das obras no Festival de Brasília mostra que a tecnologia pode ser incorporada a eventos cinematográficos sem necessariamente ocupar o lugar do filme convencional. As duas linguagens podem coexistir em uma mesma programação, com propostas distintas de fruição.
Festivais testam novos caminhos para o audiovisual
A mostra “Realidade Virtual: Imersão em Persona” evidencia uma transformação gradual na maneira como obras audiovisuais são apresentadas. A experiência depende de equipamentos específicos e de uma configuração própria para o público, mas mantém elementos centrais do cinema, como a construção de atmosferas, a condução narrativa e a relação emocional com os personagens.
Para os festivais, incorporar experiências imersivas significa ampliar o debate sobre formatos, espaços e tecnologias de exibição. No caso do Festival de Brasília, a iniciativa foi realizada em diferentes espaços do Distrito Federal durante a programação de 2026. A atualização publicada pelo Festival de Brasília do Cinema Brasileiro reforçou a presença das histórias de Abdias, Darcy e Eunice na edição.
A experiência também aponta para o potencial da realidade virtual no tratamento de conteúdos históricos. Ao colocar o espectador no centro da cena, o recurso pode criar uma relação mais participativa com temas que normalmente são apresentados em documentários, exposições ou materiais educativos tradicionais. O resultado depende, porém, da forma como tecnologia e narrativa são articuladas em cada produção.
Com a participação do Visita 360, o Festival de Brasília ampliou sua programação para além da exibição tradicional e abriu espaço para discutir os limites do audiovisual contemporâneo. As obras sobre Abdias Nascimento, Darcy Ribeiro e Eunice Michiles mostram como a realidade virtual pode ser utilizada para recontar trajetórias brasileiras e aproximar diferentes gerações de debates sobre identidade, política e memória.